Postad originalmente por Passa Palavra em http://passapalavra.info/?p=53493
Trazida a minha atenção por @PersonalEscrito via Twitter
(To be translated into English by tomorrow night)
Na "blogosfera", que envolve discussões nas redes sociais, blogs e portais, há uma máquina de quadros assalariados e apoiadores do governo, que atuam como uma claque propagandística. Por Blogueiros de Esquerda
Trabalhadores, que tornou-se, especialmente após a eleição de Lula para presidente em 2002, a maior máquina eleitoral da história brasileira, tem promovido desde então, com muito sucesso, um pacto de colaboração e conciliação de classes em prol do desenvolvimento do capitalismo no Brasil. Com a democratização das comunicações fora de pauta em prol das transnacionais e das oligarquias, o PT e seus aliados buscam se hegemonizar politicamente nas redes sociais brasileiras, palco principal das mídias dos anticapitalistas e dos movimentos sociais.

A “militância petista”, que, pela ausência de um programa político nitidamente socialista, acabou por ser educada apenas para contra-atacar os tucanos, Globo, Folha, Veja e Estadão com fins eleitorais, agora é utilizada também para combater ativistas da esquerda e movimentos sociais que resistem naquelas lutas por onde o trator do capitalismo desenvolvimentista organizado pelo lulismo pretende passar, como pode ser visto nas entre 140 a 170 mil famílias que serão deslocadas/despejadas para a Copa do Mundo e as Olimpíadas , no deslocamento dos indígenas e ribeirinhos em Belo Monte e outras hidrelétricas previstas para a região da Amazônia, entre tantos outros exemplos, como recentemente ocorreu no Pinheirinho, em São José dos Campos, no interior paulista.
Assumindo a defesa deste governo, a militância petista e governista, através de seus blogueiros oficiais e não-oficiais, sua imprensa alinhada (financiada através da Vale e Petrobras, duas transnacionais) e os núcleos ligados às altas burocracias do partido, buscam minar toda discussão política do mesmo modo como fizeram os estalinistas historicamente, quando passavam a simplesmente rebater críticas com taxações, desqualificações pessoais e ofensas. Se antes as taxações eram de “pequeno-burgueses”, “ultra-esquerdistas”, “anarquistas”, entre outras, hoje é “psolista” (mesmo que a pessoa em questão não seja filiada ao partido PSOL), “radicais”, “esquerda de que a direita gosta”, “jogo da direita” ou até mesmo ressuscitam a tese do “Partido da imprensa Golpista” para buscar alguma tintura de esquerda. Tudo isso para criar o clima de uma “esquerda inconsequente” ou que, em sua crítica, acabaria por ajudar a direita institucional.

Outro aspecto interessante a se observar é que, para este aparato lulista, não interessa mais uma verdadeira reforma pela democratização das comunicações. A luta se dá praticamente contra quatro monopólios, a saber, a Globo, a Abril, a Folha e o Estadão. Estes são os maiores “vilões”, para os “progressistas”, e não o capitalismo e seus monopólios em geral. Sendo assim, percebe-se também a ausência de programas políticos em discussão nestes meios, e sim a apologia incondicional às decisões do governo e das cúpulas burocráticas. Se antes pareciam ter uma tintura de esquerda na medida em que criticavam as privatizações e o legado tucano, hoje defendem um governo que está promovendo, com muito sucesso, o capitalismo, e funcionam, portanto, como correia de transmissão deste projeto político de colaboração de classes e em prol da conservação e desenvolvimento do pacto social benéfico ao capitalismo transnacional e às oligarquias. Se antes pareciam ser reformistas bem intencionados, hoje atuam como liberais oriundos da esquerda ou, como Lula, oriundos das lutas operárias e sindicais do ABC e da CUT.

Interditando o debate
Há uma extensa pauta de direitos humanos debatida nos movimentos sociais das mais diversas áreas que são invisibilizadas e/ou desacreditadas pelos blogueiros governistas. Como exemplos desses assuntos podemos mencionar: questões feministas de fundo político/cultural (como a questão do aborto); as carências do público LGBTS; o debate sobre a Comissão da Verdade; a remoção de ribeirinhos e indígenas para a implantação de grandes obras; os conflitos agrários envolvendo camponeses, indígenas, agroextrativistas e grileiros; as péssimas condições de trabalho de categorias fragilizadas como professores, policiais, bombeiros, lavradores, trabalhadores da construção civil e outros; a luta pela legalização da maconha; a falta de cobertura sistematizada sobre a violência institucional que interrompe vidas de jovens, sobretudo negros e pobres; entre outras várias questões que carecem de uma direção política por parte do governo federal e que, mesmo sob os limites de um Estado capitalista, poderiam obter respostas institucionais imediatas e, se não solucionar os problemas, ao menos dar início à solução destes.

A desqualificação pessoal passa a ser a tônica do debate – no lugar de se discutir tendências de pensamento que são divergentes, coloca-se em questão o caráter dos debatedores. Feministas são chamadas de mal-amadas, pessoas que defendem novos projetos sociais para populações da Amazônia são tratados como “ecochatos”, pessoas que se sensibilizam com denúncias em situações de grave vulnerabilidade social são tratadas como sensacionalistas, pessoas que querem discutir o uso de recursos do BNDES são tratados como idiotas que supostamente mal sabem diferenciar privatização e concessão. Desse modo, esquivam-se do debate político e reduzem as questões a mero jogo de interesses partidários e pessoais. Os ataques invisibilizam as causas e transformam o âmbito da discussão política em um palco de briga de comadres, com direito à ridicularização pública dos interlocutores. Esse modus operandi tem funcionado para tirar o foco das arbitrariedades e mesmo da ausência de tintura “democrático-popular” das políticas do Governo PT-PMDB encabeçado por Dilma Rousseff.
Como já se debateu aqui no Passa Palavra, o Partido dos Trabalhadores abandonou suas antigas bandeiras em nome de um projeto de poder do capital oligárquico e transnacional. Um partido que sempre usou de sua simbologia para aglutinar pessoas que historicamente lutaram pela transformação social, inclusive incorporando referências dos movimentos sociais a seus quadros, hoje tem como objetivo claro amortecer a força das vozes dissonantes, dissidentes e da diversidade de interesses políticos envolvidos. Dado não existir o “projeto democrático-popular”, a regra é a homogeneização da ideologia e a cooptação das lutas e seus lutadores, na busca por ocultar as estridentes contradições reais.
Tudo se justifica em nome de um projeto unificado que tem a petulância de se dizer de “esquerda”. O jogo de “faz de conta”, que leva adiante a farsa de que o Brasil é um país governado por um partido de esquerda, sustenta-se em um discurso frágil e facilmente perceptível.

A imprensa oligárquica atende os mesmos interesses de classe que são defendidos pelo governo, isto é óbvio. Mas, através de malabarismos verbais, a militância governista insiste em enfrentar a realidade factual e criar uma inversão lógica, acusando constantemente os partidos e movimentos sociais e a esquerda de “fazerem o jogo da direita” ao se posicionarem contra as políticas do governo. Tal raciocínio é totalmente obtuso. Afinal, estamos falando de um governo que garante que os bancos tenham recordes ininterruptos de lucros, “nunca antes vistos na história desse país”, que oferece de bandeja o patrimônio natural e humano do país para a plena exploração de transnacionais em nome do “desenvolvimento do país”, quando na verdade, estamos falando do desenvolvimento da exploração capitalista e suas consequências destrutivas e nefastas ao povo trabalhador. Mas, fique atento: criticar este raciocínio, segundo eles, é “fazer o jogo da direita”. Apóie, apóie, apóie, todo recuo é necessário para o progresso do país.
Ordem e progresso torna-se, assim, o locus destes blogueiros e blogueiras da ordem.
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