Trazido a minha atenção por @PersonalEscrito via Twitter
Brought to my attention by @PersonalEscrito via Twitter
Índios tenharim na estrada que corta reserva no AM (Foto: Acervo Funai) / TenharimIndianson the roadthat cuts throughthereservationAM(Photo: Collection Funai)
A Polícia Federal continua fazendo uma varredura dentro da
Terra Indígena Tenharim-Marmelos, no sul do Amazonas, em busca dos três
homens desaparecidos há 16 dias. Até o momento, a operação, que conta
com o apoio da Força Nacional de Segurança e do Exército, não teve
sucesso.
In search of three men that have been missing for the past 16 days, theFederalPolice continuesto conducta scanwithin theIndigenousterritory of the Tenharim-Marmelos, south of the Amazon.So far, the operation, whichhas the supportof the NationalSecurity Forceand the Army, was not successful.
As famílias dos desaparecidos estão apreensivas com a falta de
notícias da polícia e com boatos que circulam nas redes sociais dando
conta de que os corpos teriam sido encontrados. Os índios tenharim
prometeram não mais ajudar nas buscas e permanecem em silêncio.
Thefamilies of the missingareapprehensive aboutthe lack of newsfrom the policeand due to the rumors circulatingon social networks stating thatthebodies werefound. TheTenharimIndianspromisednothelpin searchesand remainsilent.
O delegado Alexandre Alves, que coordena a operação debuscas,
deu prazo até nesta quinta-feira (2), para apontar o paradeiro de Stef
Pinheiro de Souza, Luciano Ferreira Freire e Aldeney Ribeiro Salvador.
Segundo as famílias, eles foram sequestrados e mortos pelos índios como
vingança pela morte do cacique Ivan Tenharim. Os índios, porém, negam
que são os responsáveis pelo desaparecimento.
The delegateAlexandreAlves, who coordinates thesearch operation, has set a deadlineofThursday(2), pointingtothe whereabouts ofStefPinheiro deSouza, LucianoFerreiraRibeiroFreireandAldeneySalvador. According to thefamilies, they were kidnappedand killedby the Indiansin revengefor the deathof the chiefIvanTenharim. The Indians, however,deny that theyare responsiblefor the disappearance.
As buscas das forças federais acontecem dentro de uma área de 497,5
mil hectares, cerca de floresta e de difícil acesso, tendo como base o
quilômetro 137 da rodovia BR 230, na Transamazônica, em Manicoré (333
quilômetros de Manaus).
Searchesby the federalforceshave taken placewithin an areaof497 500hectares, im a forested area that is difficult to access, and is based 137 km from theBR230highway,theTransamazonian highwayinManipur(333 km from Manaus).
Em Humaitá (a 675 quilômetros de Manaus), mais de 200 soldados da
Polícia Militar do Amazonas fazem a segurança da população (45.954
pessoas, segundo o IBGE).
InHumaita(675 kilometers from Manaus), more than200officersof the Military Policeof the Amazonmakethe safetyof the population(45,954 people, according to IBGE).
Dentro da reserva, os índios estão sendo abordados por agentes da Polícia Federal, relatou nesta quarta-feira (01) ao portal Amazônia Real o
líder indígena Ivanildo Tenharim, 34, que é também titular da
Secretaria Municipal de Povos Indígenas da Prefeitura de Humaitá. Ele
está na aldeia Marmelos, onde vivem 400 índios, no quilômetro 123 da BR-
230 (Transamazônica). Ivanildo também disse ao portal que a alimentação
dos indígenas, que estão orientados a não sair da aldeia, começa a
diminuir. Casos de doenças aumentaram.
Within thereserve,the Indiansare beingapproached byfederal policewhich was reportedon Wednesday(01) by the Amazonindigenous leaderIvanildoTenharim, 34, who isalso the proprietorof the MunicipalPrefectureofIndigenous PeoplesHumaita. Heis located in theMarmelosvillage where400Indians live 123 km from the BR-230 (Transamazônica). Ivanildoalso told thewebsitethat thefood supplyofthe Indians, whoareinstructed not toleave the village, has begun to go down. The incidence of diseases hasincreased.
“Acho que os policiais federais querem aproveitar um momento de
fraqueza para pressionar. Quando encontram um índio vão logo
perguntando: “onde está o corpo? entrega logo”. Mas como não sabemos de
nada, não respondemos”, afirmou Ivanildo, em declaração dada por um
telefônico público instalado na aldeia.
"I think thefederalpolicewant to enjoya momentof weakness in front of the press. When they findan Indianthey ask, "Where's the body? Delivery/return it soon. "Butaswe know nothing, we do not respond, " said Ivanildoin a statementgiven viaa publictelephonewhich is locatedin the village.
Segundo a Polícia Federal, caciques tenharim haviam prometido ajudar
nas investigações, depois que um grupo de 126 índios foi levado de volta
às aldeias, escoltados, e não saíram mais da reserva. Eles estavam
refugiados num quartel do Exército desde o dia 25, depois que
manifestantes os ameaçaram de morte, durante uma revolta na cidade de
Humaitá.
According to the FederalPolice, the Tenharimchiefshadpromised to helpin the investigations, after a groupof 126Indianswastaken backto the villages, escorted, and notleftoverbooking.They wererefugees inarmy barrackssince 25, afterprotestersthreatenedwith deathduringa riotin the city ofHumaita.
Silêncio / Silence
Conforme Ivanildo Tenharim, os indígenas que vivem nas aldeias não
querem mais “tocar no assunto” dos homens desaparecidos. Segundo ele,
antes dos violentos protestos da semana passada, havia a disposição dos
tenharim em ajudar nas buscas, mas o interesse acabou.
AsIvanildoTenharim, theindigenous people livingin the villagesno longer want to"raise the issue" of the missingmen. According to him, before theviolent protestslast week, there waswillingness ofTenharimresidents to helpin the search, butinterest decreased.
“A comunidade tinha decidido que iria ajudar com um mutirão nas
aldeias para as buscas. Mas depois de toda aquela humilhação que causou
muito sofrimento, com os parentes refugiados no quartel, pessoas de fora
entrando nas aldeias e fazendo aquela bagunça toda, ninguém está mais
querendo ajudar”, disse ao Amazônia Real.
"The communityhad decided itwould help witha campaignin the villagesfor searches. Butafter all thathumiliationthat causedmuch suffering, withrelatives in therefugeebarracks,outsidersentering thevillagesand makingthe whole mess, no one else iswilling to help," said Amazonia Real.
Ivanildo Tenharim contou que uma assembleia está prevista para
acontecer no próximo dia 10 para definir como os índios vão se
posicionar sobre o assunto.
IvanildoTenharimstatedthat ameetingwasscheduled to take placeon 10thto define the position of the Indianson the matter.
Nascido na aldeia Marmelos, Ivanildo Tenharim morava na aldeia Bela
Vista até se transferir para Humaitá. Para ele, a reação violenta contra
os indígenas dos últimos dias foi resultado de uma articulação dos
madeireiros e fazendeiros.
Born in the villageof Marmelos,IvanildoTenharimlivedin the villageBela Vistauntil he moved toHumaita.For him, thebacklash againstthe Indiansin recentdayswas the resultof of actions byloggers and farmers.
“Existem muitos madeireiros que têm raiva da gente porque eles não
podem invadir a reserva para tirar madeira. Tempos atrás, com as
operações da Funai e de outros órgãos, eles tiveram carros e tratores
apreendidos e ficaram com mais raiva. O que eles fizeram foi aproveitar o
momento para se unirem contra nós, se articulando com a população.
Foram eles que bancaram o protesto de sexta-feira, quando invadiram as
aldeias”, disse.
"There are manywho areloggerswho are angry at thepeoplebecause theycan not invadethe reservationto takewood.Long ago, due to operations by Funaiand other organizations, their carsand tractorswereseized and they were even angrier. What they didwas to use the momentto uniteagainst us. It was they whobancaram (could not translate this word) at the proteston Friday,when they invadedthe villages, "he said.
Um dos alvos dos protestos da semana passada, a cobrança do pedágio
na BR-230 (Transamazônica) pelos indígenas é defendida por Ivanildo
Tenharim.
One of thetargetsofprotestslast week was the Indigneous owned toll collection buidling on BR-230 (Transamazônica). “A gente não chama de pedágio, mas uma compensação. É uma forma de os
indígenas terem um retorno financeiro porque nossa terra foi cortada
por uma estrada ilegal que só nos trouxe impactos negativos. Muitos
índios ficaram doentes e outros morreram. Nossa população diminuiu. Com a
estrada, aumentou a migração e muita gente de fora veio para cá.
Enquanto a União não oferecer uma alternativa de sustentabilidade,
queremos continuar com essa cobrança”, disse.
"Wedo not callit a tollbut compensation. It isa form that theindigenouspeoples can receive paybackbecauseour landwascut byan illegalroad thatbrought usonlynegative impacts. ManyIndians becamesick andsome died. Our populationhas decreased. The road was a means forincreasedmigrationandmany outsiderscame here. Whilethe Union does notoffer an alternative means ofsustainability, we want to continuewiththis charge, "he said.
Conforme Ivanildo, a cobrança do pedágio foi suspensa após acordo
feito com a Polícia Federal, mas ela será retomada com o fim das buscas.
According toIvanildo, thetoll collectionwas suspended after an agreement was reached withthe Federal Police, butit resumedwith theorderof the searches.
Comida escassa / Food scarcity
Ivanildo Tenharim afirmou que a demora e a espera pelo fim das buscas
também estão impactando a vida dos indígenas. Ele disse que, como tem
diminuído a caça dentro da reserva e os índios compram gêneros
alimentícios em Humaitá, os suprimentos estão ficando escassos na
aldeias. No total, vivem na terra indígena 1.200 tenharim.
IvanildoTenharimsaidthat the delayand the waitfor the endof the searchesare alsoimpacting the livesof indigenous peoples.Hesaid that ashuntinghad decreasedwithin the reserveand the Indians had tobuygroceriesinHumaita assupplieswere becoming scarcein thevillages. In total, 1,200live withinindigenous landof the Tenharim.
“Os índios tinham ido na cidade comprar alguns alimentos. Eles
estavam no caminhão que foi incendiado e tudo se perdeu. Como os homens
não querem se afastar muito das aldeias para caçar pelo receio de novos
ataques, a comida está acabando”, disse Ivanildo Tenharim.
"The Indianshad gone tothe cityto buy somefood. Theywere in thetruck thatwas burned andeverythingwas lost. As mendo not wantto stray too farfrom the villagesto huntfor fear offurther attacks, the foodisrunning out, "saidIvanildoTenharim.
De acordo com o líder indígena dos tenharim, há também muitos casos
de crianças doentes, sobretudo de gripe. Por isso, os índios querem que a
Funai (Fundação Nacional de Saúde) articule com a Secretaria Especial
de Saúde Indígena (Sesai) e com o Exército o envio de profissionais de
saúde às aldeias.
According tothe indigenous leaderofTenharim, there are also manycases ofsick children, especially some sick withinfluenza. Sothe IndianswantFunai(National Health Foundation) to communicatewith theSpecial IndigenousHealth(Swai) and theArmyto sendhealth workersto the villages.
Durante a revolta em Humaitá foram destruídos com fogo o prédio do
polo-base de saúde da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), o prédio da
Funai, 16 veículos e embarcações.
Duringthe revoltinHumaita, buildings of the polo-based saude da Funasa were destroyedwith firethe buildingpolo-based saúde da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), a building of Funai, and 16vehiclesand boats were also destroyed.
Nesta terça-feira (31) um documento escrito pelas lideranças
indígenas foi enviado à Presidência da Funai , em Brasília, pedindo
providências para a situação. No documento, além do pedido por comida e
atendimento à saúde, os tenharim querem que a Funai crie um grupo de
trabalho para a reconstrução da sua sede em Humaitá. Também pedem
“suporte” para o retorno com segurança de 20 indígenas tenharim que
vivem na cidade, trabalhando como funcionários da Prefeitura de Humaitá,
da Funai e da Sesai.
On Tuesday(31) a document writtenbyindigenous leaderswas sentto thePresidentof FUNAIin Brasilia, asking for action in regard to this situation. In the paper, besides therequestfor food andhealth care, theTenharimrequested for Funaito create aworking group torebuild itsheadquarters inHumaita. They also asked for "support" to safelyreturn 20Tenharimindigenous people livingin the city, working asemployeesof the Municipality ofHumaitaFunaiandSESA.
Segundo Ivanildo, as aldeias Tenharim-Marmelos estão protegidas
atualmente desde que policiais da Força Nacional de Segurança, Polícia
Federal e Militar foram enviados para a reserva.
Accordingto Ivanildo, the villagesof Tenharim-Marmelosare currentlyprotectedbyofficersof the NationalSecurity Force. FederalPolice andMilitarywere sentto the reserve.
“Estamos dando um tempo aqui porque a situação continua tensa em
Humaitá. Mas e depois, como vamos fazer, como vamos sair? Tem muitos
jovens tenharim que fazem faculdade. Há alunos do ensino fundamental e
médio. Os índios também trabalham com extrativismo e coleta de produtos
como açaí e comercializam os produtos. Não podemos ficar parados aqui”,
disse.
"We'retaking a breakhere becausethe situationremains tenseinHumaita. Butthen, aswedo, howwe get out?We havemany young Tenharimpeoplewho go to college.There arestudents from elementaryand high school.The Indiansalso work withextractionand collection ofproducts likeacaiandsell products. We can not just sithere, "he said.
Mistério / Mystery
Segundo as investigações da Polícia Federal, os amigos Stef Pinheiro
de Souza, 43, professor, Luciano da Conceição Ferreira Freire,
comerciante, partiram de Humaitá em um carro Gol por volta das 6h, do
dia 16 de dezembro. No porto da cidade, eles derem carona ao gerente da
Eletrobrás Amazonas Energia, Aldeney Ribeiro Salvador.
According totheFederalPoliceinvestigations, friendsStefPinheiro deSouza, 43, teacher, Luciano daConceiçãoFerreiraFreire, dealer, Humaitadepartedon agoal bycararound6am, the16thofDecember. In theportcity, they gave arideto themanager ofEletrobrasAmazonas Energia, AldeneyRibeiroSalvador.
Os três deveriam viajar até o quilômetro 180 da BR 230 para chegar ao
distrito de Santo Antônio do Matupi, em Manicoré, por volta das 9h. É
lá que trabalha Salvador. Souza e Freire seguiriam para Apuí em viagem
de mais cem quilômetros. Mas, desapareceram sem deixar pistas entre um
trecho da estrada que fica dentro da Terra Indígena Tenharim. No
percurso, os índios tenharim e jiahiu cobram pedágio considerado ilegal.
The threewere to travelto the kilometer180BR230to reach thedistrict ofSantoAntônio doMatupiinManipur, around 9 am. IsthereworkingSalvador. Souzaand Freirefollowed toApuíto travel more than a hundredkilometers.But, they disappeared without a tracefroma stretch ofroad thatis within theIndigenousterritory of the Tenharim. Along the way,theIndians of Tenharim and Jiahiucharged a toll that is considered illegal.
Conforme as investigações, quatro policiais militares, que estavam à
paisana, viram índios tenharim empurrando o carro Gol por voltas das 10h
na região da aldeia Tabocal, que fica no quilômetro 137 da
Transamazônica. A Polícia Militar diz que os soldados não estranharam a
situação envolvendo os índios porque eles também são proprietários de
veículos.
Duringthe investigations, four militaryofficers, who werein plainclothes, saw TenharimIndianspushing a carat 10 amina villagein the Tabocalregion, which is located at 137 kilometerfrom theTransamazônica.The Military Policesays thatthe soldiers did notconsider the situation strangeasthe Indians were are alsovehicle's owners.
Pressão do agronegócio / Pressure from agribusiness
Em entrevista ao Amazônia Real, o jornalista e
antropólogo Fernando Sebastião, que trabalha com os tenharim há mais de
10 anos, acha que articuladores dos atos de violência ocorridos em
Humaitá são principalmente madeireiros e políticos da região que viram
no drama verdadeiro das famílias dos desaparecidos uma oportunidade para
cuidar de seus interesses econômicos e políticos.
In an interview withRealAmazon, journalistand anthropologistFernandoSebastian, whoworked withthe Tenharimfor over10 years, he thought the violencewhich occurred inHumaitawas due to mostlyloggers andlocal politicianswho sawthereal dramaof thefamilies of the missingas an opportunityto take care oftheir economic and politicalinterests.
Conforme Fernando, a relação dos tenharim sempre foi boa com os
moradores de Humaitá, bem como com os pequenos agricultores, que vivem
às margens da Transamazônica, com quem se identificam pelo modo de vida,
baseado na agricultura de pequena escala, na pesca e na caça. A
relação com os migrantes que chegaram à região vindos do sul do país na
década de 70 também é tranquila. O mesmo não se pode dizer das pessoas
que chegaram na onda migratória com a nova frente de expansão vinda de
Rondônia há quase dez anos.
According toFernando, the relationshipofTenharimalways beengoodwith the residents ofHumaita aswell aswith the small farmersliving alongtheTransamazônica,whoidentify themselvesbyway of life, based onsmall-scale agriculture, fishing andhunting. The relationshipwith the migrantswho arrived in theregioncomefrom the southin the 70's was also quiet. The samecan not be saidof the people whocameinwith the newmigratory wavefront resulting from the expansionof the Rondôniaalmost ten years ago.
“Isso alterou um pouco essa relação por conta da mudança no perfil
desses migrantes. Ao contrário dos que vieram na primeira onda, não se
trata de pequenos produtores, mas sim de latifundiários e pecuaristas,
bastante resistente aos contatos com os indígenas da região e inseridos
no esquema do agronegócio, que enxergam os índios como um entrave para o
que eles julgam ser desenvolvimento”, comentou.
"Thatrelationshipdue to thechange in the profileof these migrants. Unlikethose who camein the first wave, they are notsmall farmers, butthelandownersand ranchers, very resistant tocontact with theindigenous people ofthe regionand incorporated into theschemeof agribusiness. They seethe Indiansasan obstacletowhat theydeem to bedevelopment, "he commented.